Atenção

 

Uma coisa de cada vez

Não é por causa da internet ou da vida moderna: mesmo na natureza há mais informações ao nosso redor do que conseguimos assimilar. Na prática, nosso comportamento é guiado a cada instante por uma coisa só: um alvo só, sobre o qual os esforços de processamento cognitivo se concentram. Esse alvo da vez é o foco da atenção, e a atenção é o processo que permite que tudo o que diz respeito a esse alvo seja detectado e processado mais rapidamente e com mais fidelidade, às custas do processamento de tudo o que está ao redor. Como resultado, a atenção facilita o processamento do que está em seu foco, enquanto reduz o processamento dos distratores (ou seja, de tudo o que não está no foco da atenção).

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No que prestamos atenção?

A todo instante em que estamos acordados, o cérebro tem sua atenção focada em algum lugar - fora ou dentro dele. Sim, isso quer dizer que, mesmo quando você está "distraído", está prestando atenção em alguma coisa (provavelmente em seus pensamentos). Sobre o que, exatamente, se volta a atenção depende de uma competição entre processos de-baixo-para-cima (ou de-fora-para-dentro, dependentes dos sentidos) e processos de-cima-para-baixo (dependentes de objetivos internos).

Estímulos sensoriais estão constantemente presentes. Dentre eles, tende a conquistar a atenção - ou seja, a ganhar a competição por processamento preferencial - aquele que, no momento, for o maior, o mais forte, o de maior contraste, o que destoa dos outros, o que foge à ordem, o que se move, o que aparece ou some subitamente, o mais inesperado, o novo. Esse estímulo promove um redirecionamento automático do foco da atenção.

No entanto, havendo objetivos internos que direcionem o foco da atenção sobre um objeto específico (sensação, ação ou pensamento), a tendência ao redirecionamento automático da atenção pode ser sobrepujada: o resultado é o que chamamos de direcionamento voluntário da atenção, que depende de objetivos internos.

No que prestamos atenção a cada instante é resultado, portanto, da competição entre esses mecanismos automáticos e voluntários de atenção.

 

Estruturas envolvidas

Ainda não temos um entendimento completo do que é a atenção ou como ela acontece. É sabido, no entanto, que ela envolve modificações na maneira como as variadas regiões do cérebro processam as informações que recebem, provavelmente envolvendo a sincronização da atividade neuronal entre regiões. A atenção, portanto, envolve alterações em várias partes do cérebro ao mesmo tempo.

Ao mesmo tempo, algumas regiões específicas são particularmente importantes para o processo de direcionamento da atenção:

- o colículo superior, no mesencéfalo, usa informação visual e auditiva e é capaz de promover o redirecionamento automático dos olhos para o objeto externo da vez;

- o campo ocular frontal, no córtex pré-motor, é capaz de controlar o colículo superior e impedir o redirecionamento automático dos olhos, provocando movimentos voluntários dos olhos para o próximo foco de atenção;

- o córtex pré-frontal, capaz de representar objetivos internos, modula o funcionamento das outras regiões do cérebro envolvidas no controle atencional;

- o córtex parietal posterior, que possui uma representação integrada do espaço corporal, registra a posição em relação ao corpo onde o foco da atenção se encontra e dá preferência ao seu processamento;

- o locus coeruleus, no tronco encefálico, libera noradrenalina sobre várias estruturas do encéfalo quando estamos acordados, e sobretudo quando eventos importantes acontecem ou são esperados. A noradrenalina liberada sobre o córtex faz mudar a maneira como a informação é processada, aumentando a razão sinal/ruído e assim melhorando a capacidade de detecção de estímulos e a rapidez de resposta. Mas cuidado: noradrenalina demais começa a surtir o efeito contrário sobre os neurônios corticais. Por isso um pouco de estresse nos deixa mais atentos e capazes de lidar com a situação, mas situações muito estressantes que nos deixam alertas demais, excitados demais, são prejudiciais ao bom desempenho.