
Jill Bolte Taylor (tradução de Débora Isidoro), Ediouro, 224 p. 2008.
Parece ironia, mas neurocientistas sofrem acidentes vasculares encefálicos como qualquer outra pessoa: por mais que se aprenda sobre o cérebro, o simples fato de estudá-lo infelizmente não é garantia alguma. A diferença é que um cientista é capaz de analisar, em primeira mão, o que acontece. J. Allan Hobson, especialista nos mecanismos da regulação do sono e da vigília, sofreu um pequeno AVC no tronco encefálico, felizmente de pequenas proporções, e relatou sua experiência em revistas científicas.
Jill Bolte, por sua vez, sofreu um grande derrame como consequência de uma má-formação vascular - mas não só sobreviveu como usou tudo o que tinha aprendido em sua carreira de neuroanatomista para ajudar seu próprio cérebro a se recuperar, e ainda escreveu um livro para passar sua lição adiante. Jill relata com lucidez suas sensações (de uma tranqüilidade surpreendente) durante o início do derrame, descreve o período no hospital, e sobretudo a recuperação em casa, com a ajuda da sua mãe, quando teve que reaprender tudo o que já tinha aprendido na infância - inclusive a ler. Motivação, sono adequado e muita compreensão foram elementos fundamentais à sua recuperação.
O final do livro, onde ela tenta explicar como o cérebro funciona, deixa a desejar - mas não é por essa parte que se compra o livro, de qualquer forma, e sim pelos capítulos iniciais. Uma leitura surpreendente e esclarecedora, e de grande valia para quem sofreu lesões cerebrais ou deseja ajudar pessoas assim. (SHH)