Releituras do Óbvio
Iván Izquierdo, Editora Unisinos, 128 p.2006
Veja o que a equipe do Cérebro Nosso anda lendo sobre neurociência - e o que nós pensamos a respeito!
Iván Izquierdo, Editora Unisinos, 128 p.2006
Iván Izquierdo, Vieira & Lent, 114 p. 2007
Neste interessante livro, o neurocientista brasileiro Iván Izquierdo aborda vários aspectos da memória - e, acima de tudo, do esquecimento: por que precisamos esquecer para ter uma vida normal? Quais são as formas de "arte" do esquecimento?
De forma acessível e envolvente, o texto leva o leitor a aprender um pouco mais sobre os variados e complexos mecanismos envolvidos na memória, além de refletir sobre como as memórias que guardamos ao longo da vida determinam quem somos. Com referências pessoais, e recheado de outras formas de literatura e de música, o autor nos contempla com uma obra agradável e informal, que aproxima os estudos e conceitos de neurobiologia da memória à vida cotidiana. (SAC, agosto de 2009)

Irene Pepperberg, Record, 2009
Este
livro traz a história de um papagaio-cinza-do-Congo bem incomum: Alex não só dizia palavras como conversava, respondia perguntas e pedia o que queria. Sabia distinguir e dizer as cores e formas de diferentes objetos, e era capaz de realizar a coarticulação antecipatória (uma espécie de planejamento dos fonemas de diferentes consonantes dependendo da vogal que elas precedem, uma habilidade até então considerada restrita aos humanos). O livro é o relato da neurocientista Irene P. Pepperberg de sua longa relação com o papagaio Alex, que morreu aos 31 anos, relativamente novo. Num formato bem informal, Irene relembra os feitos do incrível papagaio, além de revelar a árdua tarefa de uma neurocientista inovadora em busca de credibilidade para seu trabalho. O livro decepciona um pouco por se ater demais aos acontecimentos da vida pessoal dos dois sem se aprofundar nos aspectos cognitivos das habilidades da ave. (PfMRI, agosto de 2009)
Abaixo, dois vídeos que mostram as habilidades do papagaio e Irene explicando a Alan Alda seus truques para ensinar Alex a falar. Imperdíveis!
Sue Halpern, ed. Larousse, 2009.
O subtítulo é "As boas notícias das pesquisas de ponta sobre a memória". Dito assim, cedi ao impulso de comprar no aeroporto mais um livro sobre neurociência (sobretudo após ter descoberto que as aeromoças não deixam ler no iPhone durante o vôo), crente que iria ler um relato resumido da literatura recente sobre memória.
Mas não: aprendemos logo no primeiro capítulo que a real motivação da autora é descobrir se a demência que seu pai, falecido, teve era ou não Alzheimer, e portanto se ela também sofria ou não de uma doença da memória. Halpern relata todos os testes pelos quais passou - o que é até divertido, para quem não conhece as rotinas dos experimentos. Mas quando você pensa que vai aprender algo sobre a memória... tudo o que ela tem a dizer é "Ufa, meus resultados foram normais". As tais "boas notícias" parecem se aplicar somente à autora. Más notícias para o leitor... (SHH)
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Cordelia Fine (tradução de José Rodolfo Souza), Difel, 272 p. 2008.
Você quer crer que ele funciona muito bem, sem erros ou preconceitos. Mas ele sempre se acha melhor do que é, insiste em idéias falsas, é fanático e cabeça-dura.
Alguém em particular? Não: este é o seu, o meu, o nosso cérebro. Cordelia Fine, psicóloga e pesquisadora hoje na Austrália, explora o lado menos-que-perfeito do cérebro em um livro divertido e agradável de ler. A abordagem é comportamental, quase sem menção aos mecanismos cerebrais por trás dos bastidores das situações descritas (para mais sobre essa parte, leia Kludge ["Gambiarra"], em breve resenhado aqui também), mas não menos interessante por causa disso. Uma ótima leitura. (SHH)

Jill Bolte Taylor (tradução de Débora Isidoro), Ediouro, 224 p. 2008.
Parece ironia, mas neurocientistas sofrem acidentes vasculares encefálicos como qualquer outra pessoa: por mais que se aprenda sobre o cérebro, o simples fato de estudá-lo infelizmente não é garantia alguma. A diferença é que um cientista é capaz de analisar, em primeira mão, o que acontece. J. Allan Hobson, especialista nos mecanismos da regulação do sono e da vigília, sofreu um pequeno AVC no tronco encefálico, felizmente de pequenas proporções, e relatou sua experiência em revistas científicas.
Jill Bolte, por sua vez, sofreu um grande derrame como consequência de uma má-formação vascular - mas não só sobreviveu como usou tudo o que tinha aprendido em sua carreira de neuroanatomista para ajudar seu próprio cérebro a se recuperar, e ainda escreveu um livro para passar sua lição adiante. Jill relata com lucidez suas sensações (de uma tranqüilidade surpreendente) durante o início do derrame, descreve o período no hospital, e sobretudo a recuperação em casa, com a ajuda da sua mãe, quando teve que reaprender tudo o que já tinha aprendido na infância - inclusive a ler. Motivação, sono adequado e muita compreensão foram elementos fundamentais à sua recuperação.
O final do livro, onde ela tenta explicar como o cérebro funciona, deixa a desejar - mas não é por essa parte que se compra o livro, de qualquer forma, e sim pelos capítulos iniciais. Uma leitura surpreendente e esclarecedora, e de grande valia para quem sofreu lesões cerebrais ou deseja ajudar pessoas assim. (SHH)

Oliver Sacks, Companhia das Letras, 360 p. 1995
Livro de autoria do neurologista inglês Oliver Sacks que traz, em forma de crônicas, estórias e histórias de pacientes que despertaram de alguma forma o carinho e o interesse humanístico do médico. É um tratado sensível de transtornos neuropsiquiátricos, da evolução dos conhecimentos médicos/científicos e da relação particular de Sacks com estes pacientes. (LSBP)

Scott McCredie, Little, Brown, 2007.
Um excelente livro sobre o verdadeiro sexto sentido: o equilíbrio. O autor descreve como funciona o equilíbrio, como ele é importante para o posicionamento do corpo e até para que os demais sentidos sejam úteis, como ele deteriora com a idade e comenta descobertas surpreendentes sobre como exercícios de equilíbrio podem aliviar os sinais da dislexia e até do déficit de atenção. Leitura agradável e muito interessante. (SHH)